“O sobrenatural é tudo que fica fora do
círculo luminoso de sua fogueira.”
A FOGUEIRA E A ENERGIA FOCALIZADA
Na primeira aula de ontem o espaço foi dividido em seis momentos. Vejam como foram as etapas que ajudaram a discutir a função do ator e o propósito de estar no palco.
Primeiro momento. Todos sentados, no chão, em círculo, falam
sobre sua vinda, seu desejo, seu estar ali e agora. Dizem como gostam de ser
chamados, de ser identificados. À medida que fazem isso o diretor coloca um
adesivo com o apelido ou nome no peito do ator.
Segundo momento. O diretor diz que há uma fogueira no centro
do círculo. Todos devem estender os braços para o centro do círculo, com as
mãos abertas como que estivessem aquecendo-se numa fogueira. O diretor então
vai falar do calor, do convívio, da energia que “a fogueira” no centro do
círculo vai transmitindo para cada um deles.
Terceiro momento. Após o “aquecimento”, eles então apertam as
mãos de cada um dos companheiros da esquerda e da direita e ainda de mãos dadas
deitam para fora do círculo, sem soltar as mãos. Neste momento, a ponta dos pés
deve tocar a ponta dos pés do companheiro da direita e da esquerda. Imaginam
então que uma grande corrente sanguínea percorre todos os corpos. A princípio,
lentamente, depois, velozmente.
Quarto
momento. Todos voltam à posição de
relaxamento, sentam-se. O grupo é separado em dois. O diretor dá a seguinte
instrução: “Vocês olham para nós.” “Nós olhamos para vocês.” Após um tempo o
diretor dá ao grupo do palco uma tarefa para realizar. Eles só devem parar
quando o diretor disser para parar. Quando todos estiverem relaxados
fisicamente, poderão parar. Então o grupo troca de lugar com a plateia. E o
diretor não diz que dará a ordem para que façam alguma coisa. Após o exercício,
voltam para o círculo e discutem como se sentiram.
P = Como os
atores pareciam nos primeiros momentos em que estavam no palco?
P = Como
você sentiu seu coração?
P = Como
você se sentiu quando estava contando os objetos da sala?
Alguma coisa para fazer = energia focalizada
= Ponto de Concentração= Problema de Atuação.
Quinto momento: Método Evolutivo. O diretor pede para cada um ocupar um espaço
da sala. Em seguida, cada um deve realizar um gesto simples, cotidiano, como
abrir uma porta. Tempo. Ao passo que “abre a porta”, ele “segura uma mala.” Ao
mesmo tempo que “abre a porta” e “segura a mala”, tenta “matar uma barata” e
assim sucessivamente, até evoluir para algo mais complexo indicado pelo
diretor. Debate.
Sexto momento: Método das transferências. O diretor propõe uma técnica corporal
qualquer, como por exemplo, “dormir.” Fala de diferentes formas de dormir. Em
seguida, pede que cada um acrescente uma expressão dramática que possa
justificar a “dormida”, transferindo assim a dinâmica da natureza para a
personagem e a situação. Debate.
Quer saber mais profundamente sobre as questões acima? Veja as referências:
DELACY, Monah. Introdução ao Teatro.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
VIOLA, Spolin. Improvisação para o teatro.
São Paulo: Perspectiva, 3ª. ed, 1992.
LECOQ, Jacques. O corpo poético: uma
pedagogia da criação teatral. São Paulo: Editora Senac São Paulo: Edições SESC
SP, 2010.
BOAL, Augusto. Jogos para atorese não-atores.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.
CHECOV, Michael. Para o ator. São Paulo:
Edito WMF Martins Fontes, 2010.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Sua opinião é muito importante. Obrigado!